REALIDADE INVENTADA

"Nao quero ter a terrivel limitacao de quem vive apenas do que e passivel de fazer sentido. Eu nao: eu quero uma realidade inventada."

Clarice Lispector




segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Sai zica!




Sei que diz a lenda que agosto e o mes do desgosto, mas pelamordedeus esse fevereiro nao esta deixando por menos, a bruxa esta solta! Andei ate meio sumida, de tanta ma noticia que fui tendo na sequencia... faltou animo pra escrever (sabe aquela historia, se nao tem nada de bom pra falar...).

Mas enfim, como quem canta escreve seus males espanta, aqui estou eu, pronta para um "exorcismo literario".

Esta semana me vi passando por alguns momentos muito dificeis. Alem de momentos de tensao aqui em casa (merece um post a parte) e tambem no trabalho, fiquei muito muito triste porque na quinta-feira o Otavio, meu gatinho persa e paixao incondicional, morreu... Sabe aquele bichinho de estimacao que e que nem filho, que voce cuida mais do que tudo e seus amigos te olham torto porque acham que voce exagera? O Otavio era esse pra mim... e do nada ele ficou muito muito doente e morreu. Nem preciso dizer que fiquei DEVASTADA, ainda mais por estar aqui de longe e nem poder cuidar dele quando ele ficou doentinho...

Mas a semana nao parou por ai, e nos outros dias vi uma amiga muito querida passar por momentos muito dificeis tambem, no hospital, e tambem tive mas noticias a respeito do meu amigo que esta internado desde o comeco do ano. Fiquei com o coracao pequenininho...

Eu sei que sempre tem alguem pra falar que as coisas sempre acontecem por um motivo, e que se foi assim era pra ser assim e pronto, mas quem me conhece sabe que eu nao sou dessas. Acho que algumas coisas tristes acontecem arbitraria e desnecessariamente. Outras, como a perda de um bichinho querido, sao tristes mas esperadas, mais cedo ou mais tarde. Mas nao importa qual seja a razao (destino, shit happens ou whatever), passar por algumas situacoes na nossa vida e muito dificil, e a gente precisa de amor, apoio e paciencia pra esperar a tristeza passar e voltar a ver o lado bom das coisas. Esta semana eu precisei.

Sendo assim, queria agradecer a minha familia linda e minhas amigas perfeitas, que me deram todo amor e apoio do mundo . E oferecer em troca o meu amor e apoio pras minhas amigas passando por maus momentos. Estou aqui sempre, ombros a postos, nem que seja so pra fazer companhia e esperar dias melhores chegarem. Porque e dessa troca que a vida e feita!

E que as aguas de marco  cheguem logo, pra lavar a alma desse fevereiro fedido!

Ps: Otavinho querido, se existe um ceu pra onde vao os gatinhos, que voce esteja nele e seja feliz!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Porque de manha eu sou ranzinza!



Na minha vida anterior, eu tinha meu carro. Nao era assim aquele carro que nooooooossa que carrao, mas era meu. E apesar de  ele passar mais tempo na oficina do que na garagem (cortesia da minha falta de habilidade como pilota), a gente se amava.

Aqui na Irlanda eu ando de onibus. Quer dizer, eu ando a pe, de onibus, de trem, de ovelha, de qualquer coisa... mas pra ir pro trabalho, eu uso o onibus. E apesar das minhas 479 reclamacoes a respeito dos onibus aqui, o sistema ate que funciona. Mas assim, funciona no jeito irlandes de ser, naqueeeeele sossego...

Por exemplo: eu pego o onibus todo dia as 8 em ponto. Isso quer dizer que chego no trabalho exatamente na hora, nem um minuto a mais, nem um a menos (ja que nao ganho hora extra, isso se nao se chama preguica, se chama otimizar o tempo). Mas isso so funciona quando o motorista decide colaborar. Porque dependendo do dia, levo ate quinze minutos a mais, de tanto o onibus parar pra esperar uma pessoa correr ate o ponto (por quase um quarteirao), esperar uma senhorinha terminar uma conversao proibida (sem nem uma buzinadinha pra apressar), ou o motorista gastar uns bons minutos conversando com um senhor parado no ponto (que nao vai tomar o onibus, alias). Eu, com meu jeito paulistano apressadocomhorapratudo de ser, vou ficando mais e mais estressada a cada nova paradinha que o motorista faz, e ja chego no trabalho num bom humor que da ate orgulho!

O que me intriga e que eu olho em volta e NINGUEM parece incomodado.. esta todo mundo la relaxado, lendo um jornal ou olhando a paisagem, nem reparando que o motorista parou no sinal amarelo DE NOVO ao inves de acelerar enquanto dava tempo.

Mas hoje o motorista chutou o balde, e quase me fez pular pela janela pra ir trabalhar a pe, de tanto desespero... estamos la passando por Dun Laoghaire, quando sem mais nem menos o onibus encosta e para. Olho pra um lado, olho pro outro, e nada. Nem no ponto estamos. Ai vejo o motorista, na maior paz, desligar o onibus, fechar a porta com todo mundo pra dentro, e entrar NUMA CAFETERIA!! Deixou todo mundo esperando e voltou uns 5 minutos depois, cafezinho na mao, cara de nem ai...  

Gente, 5 minutos! 5 minutos sao quase dois intervalos da novela INTEIROS,  trancada dentro do onibus, olhando pro relogio e pensando na desculpa que vou falar pro chefe pra estar atrasada DE NOVO (porque vamos combinar que a historia da cafeteria nao ia colar com ninguem)... Olho pro lado pra comentar com a senhora perto de mim o absurdo da situacao, e antes de eu falar qualquer coisa, ainda ouco essa:

- Ah, o tempo esta bom pra um cafezinho mesmo ne... 5 minutinhos nao matam ninguem!

COMO ASSIM MINHA SENHORAAAA... ja estou 5 minutos atrasadaaaaaa... Se fosse em Sao Paulo, quando o motorista voltasse o onibus nao tinha nada inteiro dentro, tinha acontecido uma rebeliao ja.. alias, quando ele voltasse o onibus nem estava mais la, provavelmente! Mas aqui, todo mundo achou NORMALISSIMO ele parar pra um cafezinho em pleno horario do rush de manha!

Nessa hora duas coisas  vieram na minha cabeca: 1. voce pode tirar um paulista de dentro de Sao Paulo, mas nunca Sao Paulo de dentro de um paulista. E 2. que saudade do meu carrinho!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tem dias que a gente se sente...



Que ser expatriada e dificil, isso eu ja estou cansada de saber, e estou aos pouquinhos aprendendo a contornar. Agora, tinha esquecido que mais dificil que ser expatriada e ser mulher, e lidar com todas as sutilidades e ambiguidades que a gente passa sem nem entender direito o que e...

Porque ok,  uma coisa e voce aprender a lidar com a saudade de quem ta longe, a depre por nao estar no seu pais, ou a superar as diferencas culturais. Mas e quando bate aquela tristeza bem de mulherzinha (me perdoem os antropologos de plantao pela minha abordagem sexista, podem me chamar de mulher machista), daquelas que a gente nao sabe nem como nem por que aparece, e pior ainda, como faz pra melhorar?

Pra saudade existe o Skype, pra solidao existem as amigas, pra carencia existe namorido. Mas e pra aquela sensacao de "nao sei o que", aquela angustiazinha que a gente nao consegue nem explicar direito o que e, muito menos sabe como resolver... existe remedio pra isso? Se sim, peco encarecidamente aos leitores de plantao que me enviem a formula (conselhos, simpatias ou meras manifestacoes de simpatia tambem sao bem vindos). Porque ha dois dias acordo assim como diz meu lindo Chico Buarque, me perguntando se "a gente estancou de repente ou foi o mundo entao que cresceu..."...

E enquanto ao ouvir as musicas que falam dessa tristeza da alma eu entendo muito bem a que elas se referem, na minha vez de sentir, fico mesmo e perdida, Porque se tento seguir o que sinto, quero ao mesmo tempo ficar sozinha e me sentir cuidada, nao falar nada e tambem conversar sobre isso... Fico tentando transmitir em acoes ou palavras o que estou sentindo, e acabao ficando so mais e mais frustrada. Entao por enquanto, vou ficando quietinha, so esperando passar...

Porque se e que o Chico tem razao (e ele sempre tem),  daqui a pouco chega a roda-viva e carrega a tristeza pra la...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sonifera ilha...



Eu nao sei por que razao, mas a Irlanda teve um efeito absurdo nas minhas noites de sono: se antes de vir pra ca eu so precisava de umas 6 horas de sono por noite, agora se nao durmo PELO MENOS 9 horas, eu acordo no dia seguinte completamente podre.

Eu tento culpar o trabalho, dizendo que acordo muito cedo e chego em casa muito cansada, mas na verdade desde o comeco, quando nem trabalhando eu estava, Dublin tinha um "efeito Valium" sobre mim, digamos assim. O engracado e que minhas amigas diziam o mesmo: depois que chegaram aqui, passaram a dormir muito mais!

Ficar ate as 5 da manha na balada como eu fazia em Sao Paulo aqui e lenda - uma hora da manha ja estou bocejando (e as 2 da manha a balada fecha mesmo, entao nem sinto remorso de ir embora). Assistir um filme do comeco ao fim e praticamente missao impossivel: ja perdi a conta de quantos filmes enjoei de assistir o comeco e ate agora nao sei como termina. Em dia de semana entao e ainda pior: onze da noite pra mim ja e madrugada, e se estou acordada ainda, comeco a ficar paranoica fazendo contagem regressiva (agora so tenho 6 horas e 42 minutos pra dormir... agora 6 horas e 35...).

Pode ser culpa do frio, do ritmo de vida mais tranquilo ou pura falta de vergonha na cara mesmo, mas eu nao ligo. Abracei minha porcao Soneca com gosto aqui na Irlanda. Dizem mesmo que uma boa noite de sono melhora o raciocinio,  ajuda  a fotalecer a saude e (eba)  ate emagrece!! Tenho mais e que dormir mesmo... Passar a noite em claro agora so se for por uma causa muito nobre, daquelas que faz bem pra pele (hanhan) - e tambem emagrece, diga-se de passagem. Afinal de contas, namorido nao serve so pra cobertor de orelha ne...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sao Paulo da garoa.


Foi-se o tempo em que Sao Paulo era a terra da garoa. Agora ja virou terra da tempestade, enchente, daqui a pouco ate maremoto a gente vai ver o Datena mostrando AO VIVO DIRETAMENTE DO AGUIA DOURADA (a gente vai ver nao, alias, porque eu sou chique e nao assisto Datena, benhe).

E sim, o transito de Sao Paulo e uma loucura, e a gente perde hooooras parada no trafico. E siiiim a cidade e tao violenta que a gente corre o risco de ser assaltada a cada esquina em que para (e por causa do ja referido trafico, a gente para em varias). E sim, sim, sim, varios outros problemas, blablablabla.

A questao e: EU NAO LIGO! Pode ter os problemas que for, eu sou total e completamente apaixonada por Sao Paulo. Ponto final. Acho que amor pela cidade tem que ser que nem amor pelo namorado: a gente sabe dos defeitos, eles incomodam, mas a gente ama mesmo assim, e aceita do jeito que e, sem tentar mudar (ok, a gente tenta mudar um pouquinho, mas e so pro namorado melhoraaaaar.. e por eles que a gente faz isso). Porque as qualidades compensam. E Sao Paulo tem um milhao de qualidades maravilhosas que me fazem suspirar de saudade toda vez que eu lembro: os restaurantes deliciosos, as livrarias gigantes onde da pra se perder, os milhares de bares para todos os gostos, e tudo, tudo, tudoooo que voce quiser 24 horas!

E hoje minha cidade favorita no mundo inteiro completa 457 aninhos... mais nova que varios pubs daqui de Dublin (mais nova ate que meu apartamento, se bobear eheheh). Entao para Sao Paulo, e para todos os meus lugares e pessoas queridas que estao por la comemorando (e aproveitando o feriadinho), FELIZ ANIVERSARIO! Tomem um chopps e dois pastel por mim (eu sou paulista, eu posso fazer piadinha sobre o sotaque, mas so eeeeeu).

Ps: vou incluir no post que siiiiiiim, eu tambem sou apaixonada por Dublin, e meu coracao esta para sempre dividido em dois (uma coisa Dona Flor e suas duas cidades). Se nao incluo essa informacao, namorido e capaz de ir no Google Translator e depois ficar deprimido com a minha declaracao de amor unilateral. E pra falar a verdade, terra da garoa por terra da garoa, aqui tambem acabo me sentindo em casa!